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mundo
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas

Federico García Lorca

Sendo este um BLOG DE MARÉS, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
agosto 28, 2004

Muito má onda... Os portugueses devem sentir vergonha!



Destination: Figueira da Foz - Saturday 28-8-04 - Portuguese Government refuses Ships admission to portuguese waters.


Ship now waiting in international waters before Portugal.




WOMEN ON WAVES


Porque é sempre tão lamentável termos, em Portugal, de viver com os "políticos" que temos?

Porquê este fundamentalismo redundantemente obscurantista de meia-dúzia de pategos, armados em "éticos" que, para cúmulo, se servem de uma fugaz passagem pelo poder, para castrar as consciências? Quem servem?... Ou talvez seja melhor perguntar: para que servem?

Ó caixote do lixo da História, antecipa - eu te peço encarecidamente - a tua passagem por esta terra massacrada por esta sacrossanta estupidez reinante!

Deixem lá a malta respirar, arejar as ideias, discutir, trocar informações...

E tu, ó Zé Povinho, que tantos manguitos fazes na (e à) vida, não te esqueças desta gajada nas próximas eleições! Pelo menos isso...


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 18:29


agosto 27, 2004

Fahrenheit 9/11, de Michael Moore

Estou com o riso embotado de lágrimas.

Michael Moore, irónico e mordaz, levanta uma ponta ténue de um véu tenebroso que nos vai encobrindo a todos, com pretensas "lógicas" primárias, imbecis e imbecilizantes...

Fenece-me a vontade de desarvorar para aqui em comentários críticos, armados em "inteligentes". O mundo está perigoso, na verdade. Mas está só nas nossas mãos mudar esse estado de coisas.

A guerra é sempre feita com os homens e as mulheres que correm, na mais profunda cegueira, para horizontes fabulosos, anunciados pelos vendilhões da vida.

Paremos um pouco para pensar pelas nossas cabeças. Talvez isso seja um primeiro passo para iniciar um rumo novo.

E quem não viu, ainda, o filme tente não o perder... Como já ouvi algures, até é pró-americano. Mas parece-me bem contrário aos interesses do Bush e daqueles que lhe puxam os cordelinhos.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:52


agosto 26, 2004

Diversos e originais...

Tenho passado tanto tempo entretido a "dar palpites" na comunidade dos blogs, que nem arranjo tempo de sobra para arrumar a casa. Ora, aqui ficam dois ou três apontamentos, à guiza de diário...


1. Para quem quer ser amigo das árvores, sem grande esforço físico, recomendo que dê um salto a http://www.nec.co.jp/eco/en/ecotonoha/ e "plante" por lá a sua mensagem ao mundo. A ideia é muito curiosa e - garantem-me - do maior crédito. A causa é justa e o mundo, mesmo sem saber, agradecerá.


2. Descobri hoje que um banco, onde tenho conta aberta, me cobra "legalmente" mais do dobro em "encargos de manutenção" pelo depósito à ordem, onde só tenho umas escassas dezenas de euros, do que me paga em juros, na conta a prazo, onde detenho uma quantia em euros com quatro algarismos... Mas será inevitável que eu morra completamente parvo?


3. Porque é que as ruas todas da cidade de Lisboa deixaram de ter, no pavimento, marcas de sinalização visíveis? Há alguém do governo no negócio dos bate-chapas? E, em caso de acidente (tantos!...), a autarquia não é responsabilizável pelo criminoso desleixo patenteado, como fautora de insegurança?


4. Para quem interessar possa, gostaria de deixar aqui testemunho que, tirando a selecção (?) de futebol e o homem das sapatilhas rotas, a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos tem superado em muito as expectativas que eu poderia ter com os governos que temos tido... Sim, que isto de desporto não funciona a carvão!


5. A ver se eu percebo: o petróleo sobe; logo, a gasolina sobe. Tudo bem, ainda que seja uma chatice... Mas o imposto mantém-se. Então, quanto mais a gasolina subir, maior é a receita do estado e maior é, noutra perspectiva, a sua influência no aumento do preço da gasolina, já que o imposto incide numa base percentual... Não? Pois... isto não é a pescadinha de rabo na boca. É um tubarão branco esfaimado em todo o seu esplendor!


6. Anda por aí a circular um abaixo-assinado com alguma laracha, a que já dei seguimento. Eis o texto: "Os abaixo assinados estão indignados com o facto de se ter tornado legal aos Srs. Deputados desdobrarem os bilhetes de avião (trocar um de primeira classe por dois de segunda). Os abaixo assinados consideram que, ou o estatuto dos Deputados exige que viajem em primeira classe e nesse caso não faz sentido o desdobramento, ou esse estatuto não exige que viajem em primeira classe e nesse caso não faz sentido que o erário público pague bilhetes de primeira. Os abaixo assinados reforçam a sua indignação pela forma terceiro mundista como são gastos os impostos que pagam."


... Ainda bem que, atrás de um dia, outro vem.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:09


agosto 23, 2004

Marcado Por Um Livro - XVI - TANTOS...

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

TANTOS...

Ler sempre provocara nele um estranho cansaço. Por isso fugia dos livros como o diabo da cruz.

Mas o neto fazia anos. Oito, já! E lia como gente grande!...

Decidiu-se. Entrou na livrariazita do bairro e, entre o bric-a-brac da lojeca, descobriu um título que lhe titilou infantis reminiscências: A Branca de Neve! Mandou embrulhar, sorridente. Ia gostar de ouvir o filho, um esquisitão, ao ver a prenda que levava ao neto...

Festa grande... e, perante o ar pasmo do pai, o Joãozinho desembrulha a prenda do avô: “A Branca de Neve e os Setecentos Anões”, de José Vilhena.



Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:48




Confraternização na Blogosfera

Tive conhecimento deste evento em preparação lá no canto do Zecatelhado... Já me inscrevi. Então e tu?...

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:24


agosto 22, 2004

Marcado Por Um Livro - XV - ESTRANHEZA

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

ESTRANHEZA

Nos noticiários, tudo ardia. Florestas, casas, gentes. Mas, logo na aldeia vizinha, os festejos com foguetório e novos incêndios.

Buscou a praia. Música bate-estaca misturava-se a gritos lancinantes de crianças histéricas. Mal ouvia o mar. Para cada veraneante, o respectivo naco de areia era zona libertada. Fugiu.

Banho e higiene. Tentou a quietude num concerto de guitarra clássica onde, afinal, os espectadores falavam alto, entravam e saíam da sala, arrastavam cadeiras...

Saiu e procurou uma esplanada para concluir a leitura de “Um Estranho Numa Terra Estranha”, de Robert A. Heinlein.

Só então descobriu que, afinal, se enganara no planeta.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:19


agosto 21, 2004

Marcado Por Um Livro - XIV - O MAR DE SOPHIA

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

O MAR de SOPHIA


Sou o MAR de corpo inteiro. Sou de sais e de vulcões. Vive em mim a maresia. Por mim passam homens e barcos. E deles recebo o tributo.

Sou de medusas, de areias, anémonas e promontórios. Sou caminho de odisséias de pescadores, navegantes, piratas e orientes.

Sou de grutas submersas. Sou o mar das descobertas, dos medos, das tempestades. Sou este mar sem idade, sem tempo e de temporais. Sou o mar de liberdade.

Sou o mar dito em poema. Sou este o MAR de Sophia. Mar para sempre e nunca mais.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 06:32


agosto 19, 2004

Intervalo errático nas marcações...

Na verdade, não estamos sozinhos... Ali, algures a caminho de Viseu e rumando a parte incerta, lá vai um irmão nas traseiras da caravana! Quem havia de dizer...

(Conseguem ver? Mas garanto-vos que é uma Orca, essa é que é essa!...)


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:45




Marcado Por Um Livro - XIII - ABALADA PRAIA DE CÃES

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

ABALADA PRAIA DE CÃES

Salta a cadelita frenética e tensa, ao ritmo das ondas, às canelas dos veraneantes. Ladra-que-ladra, corre-que-corre, mija-que-mija, foge-que-foge.

Cadelita vigilante, ridícula força de intervenção balnear.

Ladra ao cão, ao dono, à dona, ao mar, ao céu e às estrelas, ao vizinho e ao rapaz, em loucura atrás da bola.

Salta qual pulga na areia, parece ter vida a pilhas... e tanto ladra, a magana, que desisto de continuar a leitura da “Balada Da Praia Dos Cães”, de Cardoso Pires.

Aposto que fazia de propósito, a cadelita histérica, agora a ladrar para mim em tom de gozo...


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 08:08


agosto 17, 2004

Marcado Por Um Livro - XII - TERRA - Símia 52 (Humana Lisboa) - Ano:3004

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

TERRA - SÍMIA 52 (Humana Lisboa) – ANO: 3004


Simeão sacudiu a água que lhe cobria o pêlo hirsuto e deitou-se no areal, no seu local favorito naquela praia: junto à estátua de um humano de longa cabeleira encaracolada tendo, ao lado, um leão, e cujo pedestal mergulhava profundamente na areia.

A praia encontrava-se quase deserta. Apenas algumas famílias símias se viam em pequenos grupos no extenso areal, naquele final de verão.

Simeão retomou o velhíssimo documento em que apoiava a tese de doutoramento em arqueologia: “O Planeta dos Macacos”, edição de 1963, da autoria de um humano chamado Pierre Boulle.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 19:53


agosto 16, 2004

Marcado Por Um Livro - XI - LER-SE

Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

LER-SE

Li “Como Um Romance”, de Daniel Pennac, tal qual um romance. Mas assumindo todos os direitos do leitor, inalienáveis direitos, por ele próprio, Pennac, preconizados:

Não ler. Saltar páginas. Não acabar o livro. Reler. Ler não importa o quê.Amar os heróis do romance. Ler não importa onde. Saltar de livro em livro. Ler em voz alta. Não falar do que se leu.

Decerto por isso não me canso de ler essa pequena obra de Pennac. Sem ordem. Sem desordem. Interessada e infindavelmente. Ler, apenas, pelo meu prazer de ler.



Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 21:27


agosto 14, 2004

Marcado Por Um Livro - X - OUTRO FADO ALEXANDRINO

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

OUTRO FADO ALEXANDRINO

Estávamos em 1984. 02 de Fevereiro, mais precisamente. Pelas três horas da manhã, insone, lia eu as últimas páginas do “Fado Alexandrino”, de António Lobo Antunes.

Do quarto, a minha companheira diz-me: “- Podes chamar a ambulância... O nosso filho está a chegar!...”

Bombeiros. Ambulância. Clínica. Tudo programado e, ainda assim, tanta ansiedade.

Pelas seis horas da manhã, em ambiente festivo e de alegria com lágrimas, nasceu o nosso filho Alexandre.

O nome foi consensual. O livro, esse só teve a sua leitura terminada algumas semanas mais tarde.



Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:41


agosto 13, 2004

Marcado Por Um Livro - IX - O JOVEM E O MAR

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

O JOVEM E O MAR

João liberta o enésimo peixe da cana de “pesca grossa”, como gostava de lhe chamar. Há no gesto um enfado que não disfarça, sublinhado pela ira com que lança o belo espécime amurada fora da sua velha enviada.

Espreita ainda o mar, buscando o “seu” espadarte... Lera “O Velho E O Mar”, de Ernest Hemingway, na sua adolescência tardia e, desde então, montara um suporte especial na popa da enviada, onde pontuava a sua cana iscada para espadarte, acompanhando a faina diária.

Viria o seu dia. Tinha-o por certo. O mar ensinara-o a esperar.



Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:52


agosto 12, 2004

Marcado Por Um Livro - VIII - SUBTERRANEAMENTE

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

SUBTERRANEAMENTE

Tempo de pichagens clandestinas nas paredes, onde se gritavam palavras necessárias, urgentes. Tempo de medos. E a liberdade não era apenas mais uma palavra, mas condição natural conquistada no dia-a-dia desses medos, da injustiça, mas da esperança.

Do outro lado do Atlântico, na mesma luta, o mesmo abraço, a mesma vontade.

Jorge Amado escrevia uma das referências da luta clandestina, manual de aprendizagem obrigatório para qualquer militante incipiente, contra os regimes de opressão que irmanavam mais os povos de Portugal e do Brasil, “Os Subterrâneos Da Liberdade”.

Lia-se de dia, com uma capa falsa, e discutia-se à noite, subterraneamente...



Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:18


agosto 11, 2004

Marcado Por Um Livro - VII - FEITIÇOS

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

FEITIÇOS

Ler “O Feiticeiro de Terramar”, de Ursula Le Guin, foi uma experiência única que me transportou, numa metáfora, do misterioso mundo da feitiçaria aos patamares de aprendizagem da vida.

Por ter recorrido a este livro como leitura de férias, o seu envolvimento encantatório teve artes de me alhear da realidade circundante, para um céu de nuvens vivas.

Quando atingi a última página, de alguma forma, o mundo era diverso.

Talvez por isso, se me depare tão estranha, fabulosa e inexplicável a evolução política verificada neste Julho de 2004, no meu país...



Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:17


agosto 10, 2004

Marcado Por Um Livro - VI - JANGADA

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)
Texto seleccionado - publicado no DN, em 15 de Agosto de 2004.

JANGADA


Li “A Jangada de Pedra”, de José Saramago. Parei, então, introspectivo... Tanto mar à nossa volta e a Europa tão longe... E decidi-me!

Levei um ano a montar uma placa com cerca de três metros quadrados de calçada à portuguesa que montei sobre um elaborado sistema de rolamentos.

Apliquei-lhe a vela da velha prancha de ‘windsurf’ que ainda tinha lá pela garagem.

E assim irei: inspirado nesta correnteza de Saramago, farei o caminho inverso e, se os ventos estiverem de feição, lanço-me na jangada e rumo a oriente, na demanda de tudo o que nos falta do velho continente...

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:22


agosto 09, 2004

Marcado Por Um Livro - V - COINCIDÊNCIAS

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

COINCIDÊNCIAS


Leonor passeia pelo campo a mais recente desilusão amorosa. Senta-se, triste, desconsolada, na velha pedra, sua confidente desde a meninice, junto ao riacho que passa pela propriedade dos avós.

Nisto, vê um sapo. E entre a ironia e a mágoa exclama: “- Olha, chegou o meu príncipe encantado!...”

“- Claro que chegou, palerma!” – diz-lhe o sapo. “- Estás à espera de quê para me dares um beijo?”

Pasma de susto e aflição, Leonor levanta-se, de sopetão, deixando cair, de aresta viva, sobre o pobre príncipe o “Não Há Coincidências”, de Margarida Rebelo Pinto, amputando-lhe cerce a perna esquerda traseira.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 01:10


agosto 08, 2004

Marcado Por Um Livro - IV - A PISCINA

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)


A PISCINA

Finalmente, a época balnear. Areia, mar e a interrupção momentânea das rotinas doentias do emprego desinteressante.

Chegado à piscina atlântica, toalha estendida à pressa e três peças de vestuário enroladas à trocha-mocha, ala que se faz tarde! À leitura, desporto favorito, que uns abdominais displicentes teimavam em denunciar.

A modorra do Sol. O enleio da leitura, O bruaá do mar e da gente...

João acordou, três horas mais tarde com a gravura em negativo da “Fantasia Para Dois Coronéis E Uma Piscina”, de Mário de Carvalho, desenhada a fogo do Sol no seu corpo vermelho-lagosta.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:54


agosto 07, 2004

Marcado Por Um Livro - III - GUERRA EM PAZ

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

GUERRA EM PAZ

Luís Guerra era um leitor compulsivo. Nem a recruta o desviava dessa necessidade premente, como quem respira.

Livro entalado no cinto, apresentava-se naqueles preparos em plena formatura, o que lhe valia intermináveis sermões do nosso alferes Alfredo, para gáudio da maralha.

Um dia, tudo ultrapassou os limites. Um demasiado grosso volume sobressaía-lhe das calças, tal mochila deslocada.

O alferes perdeu a cabeça: “- Chega!... P’r’às latrinas e já! Nem que as limpes com a língua, quero aquilo que nem espelho!”

Luís desfruta, agora, a leitura tranquila de “Guerra e Paz”, de Tolstoi, afastado do bulício da parada.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:03


agosto 06, 2004

Marcado Por Um Livro - II - EQUADOR

(Proposto ao Passatempo DN - Histórias Cem Palavras - Marcado Por Um Livro)

EQUADOR

Júlio Costa (Solita) esperava, na esplanada, a chegada de Esotérea, personagem que conhecera na comunidade dos blogs.

Seria para ambos o primeiro encontro efectivo, depois da troca de impressões apaixonadas, em crescendo alucinado.

A seu lado, conspícuo, o “Equador”, de Miguel Sousa Tavares, referenciava-o. Fora, aliás, o elemento aglutinador daquela relação e sinal distintivo para o encontro.

Júlio sabia, de quem esperava, a alma rica, cultivada. Ansiava pelo corpo que a enformasse.

Um leve contacto no ombro. Um sobressalto. Um homem alto, de olhos claros e cabelo desalinhado, aparentando uns quarenta anos, diz-lhe: “- Olá, Solita. Sou a Esotérea...”

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:26


agosto 05, 2004

Marcado Por Um Livro - I - LUCIDEZ

Nota de introdução: O Diário de Notícias promove, até fins de Agosto, um passatempo que consiste em escrever um texto com o máximo de 100 palavras (título incluído), subordinado ao tema "Marcado Por Um Livro".

Achei o divertimento interessante para férias e desatei a colaborar. Como é habitual nestas andanças, nenhum dos meus textos (deveria chamar-lhes textículos?) é publicado.

Como a minha autoestima (e autoconvenciomento) me garantem que tal não fica a dever-se à falta absoluta de qualidade dos mesmos, decidi partilhá-los neste meu espacinho de ondulações amistosas. Talvez alguma sugestão vos seja útil... Cá vai o primeiro:


LUCIDEZ

Farto da discussão, repeti, pela enésima vez, que Saramago era um escritor, apenas – se tal se podia afirmar, sem perturbar os deuses do bom-senso. E a escrita não muda a realidade.

Inflamado, esgrimia o “Ensaio Sobre A Lucidez”, autografado pelo autor, tentando convencer a minha namorada de que a obra não teria influenciado as eleições, proferindo a frase que terminou ali a nossa relação: “Oh, Marta, é preciso ser-se estúpido...”

Nem concluí. Furiosa, ela retira-me o livro da mão e dá-me com ele violentamente na cara, onde a lombada me rasgou o sobrolho, numa cicatriz que ainda hoje conservo...


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 16:07


agosto 02, 2004

Balada da mãe aflita em praia apinhada de gente...

(O Sol intenso das nossas praias e a sua - delas - carga humana provoca-me desiquilíbrios emocionais... às vezes.
Oh, mar salgado, quanta daquela areia, lançada ao ar, desplicente, aterrou na pacífica toalha onde eu me deitava!...)

És de truz
Oh meu petiz
- Ia a dizer catrapuz! -
Sempre tão na lufa-lufa
Trufa
Tartufa
Feliz
Cavas um túnel na areia
Grande tal qual uma ideia
Com as mãozitas que rodas
E a meninice anima
Cavando fosso profundo
E que mesmo em fraca rima
Vai lá parar aos antípodas
No outro lado do mundo

E lá vai ele terra abaixo
Como coelho na lura
Mal olhar p’ra ti eu deixo
Inquieta criatura!...

Que nem por pás
Ou por pés
Por pis
Por pós
Ou por pus...
Como saber onde estás
Se não és onde te pus?

- Jorge Castro

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 18:46


agosto 01, 2004

Nota explicativa de ausências...

Como terão adivinhado, algo se passou neste meu pequeno "reino da Dinamarca", justificativo desta ausência imprevista...
De facto, um qualquer vírus maléfico, intrometido e malfeitor logrou subverter as minhas barreiras defensivas e desatinou-me por completo a maquineta. A situação, por cá, aproximou-se perigosamente da tragédia...
Agora, já acalmei, um pouco mais experiente (espera-se!...) e, para além dos sobressaltos normais de quem ainda goza de um curtíssimo período de férias, atento, interessado e obrigado.
Os comentários à entrada anterior - dos incêndios - foram muito interessantes. Colhi, com agrado, a opinião do advogado Sá Fernandes emitida na mesma data, coincidente com a do DonBadalo e com a minha, quanto à eventual responsabilização do estado português pela sistemática incúria com que encara a questão dos incêndios. Assunto. por isso, não encerrado.

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:20


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noites com poemas 2


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