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mundo
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas

Federico García Lorca

Sendo este um BLOG DE MARÉS, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
março 21, 2017

dia de poesia

é dia de poesia
que alegre bizarria
e que bizarra alegria
saltam poemas à liça
saltam poetas à beça
assim mesmo
cedilhados
sendo mais que muitos mil
e são de todos os lados
uns mais dados
outros não
- que ele há-os arredados
e outros mal comportados…
de norte a sul
tão fecundos
que são até fecundados
de tão sérios
ou jucundos
por mistérios tão profundos
como outros mais arredios
fugidios
embuçados
ou então delicodoces
de sabor a rebuçados
de mentol
são mentolados
ou então mentalizados
o certo é que neste dia
vai alegre a alegria
com poemas
mais de mil 
sempre em et coetra e tal…
neste mundo qual mosaico
que – vai a ver-se –
é prosaico
um tal dia de poesia…

- Jorge Castro
21 de Março de 2017

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março 16, 2017

Mulheres na História

Uma iniciativa da EMACO - Espaço e Memória - Associação Cultural de Oeiras, a não perder:

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fevereiro 24, 2017

duas palavras:

José Afonso


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fevereiro 20, 2017

de trampice em trampice até à idiotice total

Do estado do mundo já nós todos sabemos que está perigoso. Mas, assim como assim, visto que é lá fora, é chato, mas a maltinha aguenta, remetendo-lhe um interesse, quando existe, muito, muito periférico.

De tal modo que mesmo com um Almaraz à porta, vendo bem sempre é do lado de lá da fronteira que, como todos sabemos, é assim a modos que uma barreira invisível que nos protege de tudo e mais alguma coisa…
Do Donald pato-bravo e do seu inenarrável penteado – que evoca vagamente um pato mandarim – sente-se alguma apreensão. Ma non troppo.

Agora, cá dentro, nesta variedade lusitana da cosa nostra, a coisa pia mais fino. Ou pia ou fia, que nunca apurei da justeza do dito, mas vai tudo dar ao mesmo.

Massacrado até ao mais profundo do meu âmago com o pseudo «caso Centeno» e sem qualquer interesse no assunto para além do elementar facto de considerar que a Caixa Geral de Depósitos é portuguesa e assim se deve manter, e já que todo o comentador comenta o não-assunto, porque não hei-de eu comentá-lo também?
E, afinal, tenho muito pouco para comentar, para além do óbvio. Veja-se:

1.      Mas houve, de facto, algum acordo com o António Domingues? Não. O governo não acordou nada com o António Domingues. E isto é definitivamente claro e claramente definitivo.

2.      Mas houve, de facto, alguma promessa do ministro Centeno a António Domingues do tipo espera-aí-que-eu-vou-ver-o que-se-pode-arranjar? Claro que houve. E daí? O homem é especialista no regime jurídico ou ele é mais números e é para isso que integra o elenco governativo? Entretanto, o chefe disse-lhe: não, pá, isso não pode ser nada… E acabou a conversa!

3.      Ah, mas não vieram confessar essa fraqueza ao povo? Enfim, tenho para mim e pelo que tenho sempre visto, que, se de cada vez que um ministro manifestasse fraqueza em qualquer item da governação viesse confessar tal ignomínia ao povo, há uma data de anos que não se faria mais nada na nobre arte da governação.

4.      Alguém sabe dizer-me se a Autoridade Tributária ou qualquer outra força viva – e mesmo, até, as moribundas – já estão a investigar o «currículo» de António Domingues e do seu grupo nomeado para a administração da CGD? É que, aí sim, perante tanta necessidade de reserva de confidencialidade sobre a declaração de respectivos rendimentos não estamos em presença de um gato escondido com o rabo de fora mas, antes, de um rabo escondido com o gato de fora. Eu, se fosse às tais forças vivas, escarafuncharia a sério, nem que fosse só para chatear… Como, aliás, parece tantas vezes ser objectivo primeiro da AT junto do cidadão normal.
Pelo meio disto tudo, a geringonça lá vai indo… e nós todos com ela. Do défice é o que se vai sabendo e o País, se não exulta descabeladamente com a reversão da roubalheira perpetrada nos anos do Coelho, lá vai respirando, aos soluços embora, após tremenda asfixia.

A Caixa ainda é nossa. Não é de Moscovo, nem da China, nem de Angola, nem de Espanha, ao contrário do que acontece em tudo que é negócio chorudo em Portugal. 
E, pelos vistos, esta é, no fim de contas, a circunstância que apoquenta a «oposição» a que temos direito.

Eu não sei se se lembram de que, já no tempo da ditadura, o que se dizia do principal drama da direita portuguesa nem era ser, como era, retrógrada. O problema maior era ser estúpida – o que, aliás, são características que tendem a andar juntas.  E parece que há coisas que não mudam.

Nota - «trampice» é o resultado da união de «trumpice» com trampolinice, nalguma noite sem luar.

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fevereiro 11, 2017

duas sugestões para o dia 12


Uma vez mais, duas opções para mim de peso equivalente e que aqui partilho convosco. 
A simultaneidade não me permitirá comparecer a ambas, obviamente. 
Mas a alguém interessará saber e, quem sabe, talvez até comparecer:

Com o patrocínio da minha amiga Ana Freitas, em Coruche:


Uma iniciativa deveras interessante da minha amiga Fernanda Frazão:

Amigos
Ao fim de 6 anos, terminei finalmente a minha primeira experiência em documentário. No próximo domingo, dia 12, às 18 horas, será apresentado no Museu do Teatro Romano, pela primeira vez, o filme que retrata um pouco da história das cartas de jogar entre nós. Procurei fazer um trabalho abrangente,de modo a perceber-se de que modo aqueles pequenos rectângulos de papéis colados se ligam a tantas profissões e se imiscuem nas nossas vidas... há centenas de anos. Apareçam. Terei muito gosto em conhecer a vossa opinião.

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Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:54


fevereiro 05, 2017

trampice

Antecipando-me à nomeação da palavra mais usada para o ano 2017, deixo aqui já a minha proposta para a selecção de um semi-neologismo que, face ao despautério mundial que a eleição desta sinistra personagem suscita, irá andar nas bocas do mundo todo. 

Esperemos que seja pela resistência e combate, também mundiais mas, principalmente, em solo americano, à sua existência nefasta.

Claro que aportuguesei o termo, o que me pareceu, aliás, fazer todo o sentido!   

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janeiro 12, 2017

e, agora, para falar de outra coisa...
já olhou, com olhos de ver, para a sua factura de electricidade?

Há, nesta espuma dos dias, como alguns lhe chamam, algumas coisas mais sólidas e substanciais nas quais não nos convém tropeçar sem que, pelo menos, arrisquemos sérios danos na canela dos pensamentos.
 
Ora, vem ao caso, a circunstância de me ter debruçado sobre o sacrossanto tarifário da electricidade que uso lá por casa e, após cuidado apuramento de factos, apurar que, afinal, a desgraçada violência doméstica é assumida por improváveis agentes, porventura com os mesmos perniciosos efeitos civilizacionais.   
 
Sabemos de uma praga que assola todos quantos tenham celebrado um contrato de fornecimento de electricidade, de há longos anos, e que se chamava «aluguer de contador» que consiste, por sua vez, numa espórtula prestada à entidade fornecedora tão só por nos dar a benesse de existir e apesar de cobrar, em paralelo, o consumo que, efectivamente, tivermos, em termos de Kwh consumidos.
 
Quando o avanço civilizacional decidiu considerar que aquele «aluguer» era um abuso e, concomitantemente, um insulto à inteligência e à dignidade do bom povo e, como tal, teria de ser erradicado, logo a inteligência do costume transmutou a coisa em «taxa de potência» - tudo sempre sob a alçada do forte braço da lei -, na perspectiva ancestral de que mudam as moscas mas não muda a matéria que as atrai. E assim se ficou a pagar o mesmo, o que, no fundo e bem vistas as coisas, era o que interessava.
 
Entretanto, o nível de sofisticação foi-se apurando graças aos sacrossantos avanços tecnológicos, também conhecidos por progresso, e essa «taxa de potência» passou a estar sustentada no argumento de que, enquanto o caduco e troglodita «aluguer de contador» pouca ou nenhuma variação tinha de cliente para cliente, esta «nova» taxa incidia agora sobre a «potência contratada». Leia-se, a capacidade, disponibilizada pela empresa fornecedora, de o cliente poder ligar, em simultâneo, cada vez mais electrodomésticos.
 
Ora, numa lógica sem lógica nenhuma - pois o consumo é suposto pagar-se pelos Kwh gastos e quantos mais electrodomésticos ligados, mais se consumindo, logo, mais se paga... - o pagador, se queria usufruir da possibilidade de  ligar um aquecimento ao mesmo tempo que passava a roupa a ferro e aproveitava o tempo (cada vez mais escasso) para lavar a roupa suja da semana, lá via aumentar a tal «taxa de potência» na sua inestimável facturinha, ao solicitar «instalação» aumentada de potência contratada.
 
Dito de outra maneira: o cliente paga mais para poder gastar mais... Percebe-se? Duvida-se.
 
Esse aumento, sem entrar noutros devaneios despiciendos, traduzia-se tão-só pela calibragem de um aparelhómetro, instalado a seguir ao contador de electricidade e que se chama disjuntor diferencial. Por acréscimo, além de calibrar a potência disponível, até tinha a simpatia de proteger a instalação em casos de curto-circuitos, o que até era, vamos lá e como disse, simpático e - lá está! -, civilizado.  Uma vez mais, o forte braço da lei dava cobertura ao enredo.
 
Um dia, em pleno cavaquismo, o País amanheceu com a privatização da empresa fornecedora deste bem. E, ao privatizá-la, algum jurista atento apurou que uma empresa privada não deve cobrar taxas... Enfim, que diabo, não estamos no México, não é? Logo a solução foi fácil e brilhante: mudou-se-lhe, de novo, o nome e passou a denominar-se então «encargo de potência», mantendo-se todos os demais pressupostos.
 
Aqui convém parar e referir que este «aluguer-taxa-encargo» sofre regulares aumentos anuais, como é de bom tom numa sociedade que caminha para o futuro...
 
Mas o irrequieto legislador não dorme sobre os louros conquistados e no seu afã de se actualizar em novas realidades e novos desafios, cada vez mais engrossado institucionalmente, até com entidade «reguladora» a preceito, que lhe vai conferindo uma armadura de aço - o «mercado regulado» - contra débeis tentativas de sobrevivência do cliente, a esbracejar aflito num consabido mar de taxas e taxinhas.
 
Encurtando razões, que o palavrório vai longo, eis o actual estado da arte - uma outra vez, com todo o suporte legal:
 
- O «encargo de potência» mantém-se;
 
- Os «contadores inteligentes» em fase de instalação, permitem a definição da tal «potência contratada», ficando os encargos de instalação do sistema de protecção à responsabilidade integral do utente/cliente... Será por isso que regressaram em força os incêndios motivados por curto-circuito...?  
 
- Para cúmulo, uma vez mais civilizacional, actualmente o preço do próprio Kwh também varia em função da «potência contratada», ou seja, o cliente paga mais para poder gastar mais (potência contratada) e paga mais cara cada unidade consumida por já pagar mais para poder gastar mais (diferencial de preço em função da potência). Confusos? Pois têm mais...

-Na factura emitida avisa-se o bom povo de algo quase iniciático: «O preço da electricidade inclui o valor X (sem IVA) correspondente às tarifas de acesso às redes, que contêm o valor dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) no valor de Y. Estes valores são independentes do comercializador» - fim de citação e de paciência. E, então, perceberam?
 
Há, neste contexto, uma questão filosófica que me avassala: o que é tudo isto...?!?... Enfim, o que nos vale é que vivemos num estado de direito... Olha se não fosse!
 
 

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janeiro 10, 2017

Mário Soares
07 de Dezembro de 1924 - 07 de Janeiro de 2017


Controverso como a Vida que viveu, com maiúscula, de corpo inteiro e largo espírito. E tanto me basta, que nunca fui admirador sem condições.
 
Na espiral que nos leva vida fora, a pegada de alguns - lamentavelmente poucos - marca indelevelmente essa coisa pouca e, entretanto, enorme que é a Humanidade. Mário Soares é, neste contexto, um caso digno de estudo: o seu amor pela polis confunde-se com a sua fruição da vida.
 
Cada acto seu, comandado pelo impulso do momento muito mais do que por uma acção programática pré-feita e conjecturada, determinava-se segundo dois vectores determinantes: a Democracia e a Liberdade. E assim se movia.
 
Errou que se fartou, seguiu, então, derivas norteadas pelo pragmatismo político, porventura muito para além da razão fria. Não podia, assim, deixar de tropeçar nos escolhos da jornada.
 
Mas talvez seja essa, para mim, a sua dimensão maior: o ser humano entre humanos. E o seu calculismo político assumiu, por isso, a linha orientadora do que consideraria o bem comum, não se empecilhando em favorecimentos circunstanciais ou de proximidade.
 
Não sou dos que considera, em situações destas, que «todos ficamos mais pobres». Não. O seu legado está aí e ao nosso alcance. Basta segui-lo.      

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janeiro 05, 2017

sugestões/convites

Não tenho o dom da ubiquidade, o que me ocasiona, a cada passo, problemas de gestão complexa.
 
Mas nada impede, entretanto, que convosco partilhe convites que me vão chegando e que reputo de especial interesse.
 
São estes dois exemplos, já para o próximo dia 08 de Janeiro de 2017... em que, pela qualidade reconhecida, apenas lamento não poder comparecer aos dois. Mas a escolha poderá ser vossa, claro. Cá ficam, pois:


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dezembro 31, 2016

no 13º aniversário do Sete Mares
fazendo votos de felicidades mil...

Efectuei uma análise exaustiva e científica a todas as entrevistas de rua efectuadas pelas televisões portuguesas, ao longo de 2016, e apurei as duas frases que irão servir-me para esta ilustríssima data e que faço questão de aqui partilhar com todos vós:

Isto é fantástico!

Não tenho palavras...! 

E, enfim, façam vocências os possíveis e impossíveis para serem felizes neste 2017 que se avizinha.


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dezembro 28, 2016

Quase-quase em jeito de mensagem de fim de ano e princípio de novo

Nesta manhã fria e carregando comigo uma quantidade de vírus indesejados, fungando, tossindo e pigarreando, febril, em sinfonia gripal a solo, dou por mim, no meu passeio matinal, logo depois de um matinal café mal bebido, porque meio queimado, e a caminho do meu local de trabalho, a vociferar intimamente contra todos os concidadãos que estacionam as viaturas sobre os passeios, deixando aos peões uma nesga de circulação, entre tabiques de obras, caixotes do lixo ou lixo espalhado pelo chão ou, ainda e pior, dejectos de inumeráveis cãezinhos, que os donos respectivos se esquecem de recolher e levar para casa – tantas vezes, aos próprios cãezinhos… 

Nada augurava, pois, um dia auspicioso e feliz.

E assim eu ia matutando, embatendo, involuntariamente e com dor, com o cotovelo nos retrovisores – que nem isso recolhem, esses egoístas condutores estacionados, apesar de correrem o risco, civilmente presumível, de um legitimamente arreliado cidadão lhes rebentar, a murro, essas excrescências das viaturas… - e lá que merecer, mereciam!

Mas, coitados e verdades sejam ditas, estacionar onde? Ao menos ali nem pagam o estacionamento. Os peões, assim como assim e de algum modo, lá hão-de safar-se.

Entretanto, em sentido contrário, aproxima-se uma jovenzinha, ajoujada ao peso de uma mochila quase maior do que ela, e em artes de dançarina – tal como eu – na gincana dos objectos obstáculos.

No momento de nos cruzarmos, encolhi-me todo, esmagando-me contra um carro – desejando intimamente que algum risco involuntário (mas merecido) na pintura compensasse a sujidade que ficaria agarrada ao meu casacão – e cedi-lhe a passagem possível, que consistia numa nesga onde mal cabíamos ambos, não houvera ginásticas de delicadeza.

A jovenzinha ergueu o olhar para mim, sorriu e disse-me obrigada.

E tanto bastou para que, de súbito, eu sentisse o mundo com outro olhar.

Ocorreu-me Sampaio da Nóvoa, numa sua palestra sobre esta forma portuguesa de agradecer, em que invoca São Tomás de Aquino, no seu Tratado da Gratidão, dissertando sobre esta manifestação do terceiro nível de agradecimento que, ao que parece, apenas em Portugal é usado: obrigado.

Apesar de tudo, há sempre a possibilidade de um sorriso e de uma manifestação de humanidade quando menos se espera e por mais singela que ela seja. Não saberá a jovenzinha o bem que me fez, nem eu saberia pagar-lhe por esse bem.

Mas, sim, também eu lhe fiquei, sentidamente, obrigado.  

- Jorge Castro
28 de Dezembro de 2016

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dezembro 20, 2016

Natal, o tal, sempre que a gente o quiser...

... e que afeiçoaremos como melhor nos aprouver.

De mim, recebam esta família primordial - lá está, afeiçoada por olhos que tiveram artes de ver de outra maneira - e que, sem fragilizarem o conceito, bem pelo contrário o fortalecem.

 (- Artesanato da serralharia O Pinha, de Manuel Machado, em Celeirós, Braga)  
 
O Natal é uma janela
 
o Natal é uma janela
que abrimos a quem passa
tão-só para cumprimentar
dando um ar da nossa graça
porque o tempo passa
passa
sem dar tempo de parar
 
temos musgo
e azevinho
na ombreira da janela
não vá o nosso vizinho
passar também a correr
e nem sequer dar por ela
 
o Natal tem afinal
esse dom de por um dia
- ou
vamos lá… por um mês –
sentirmos essa alegria
de sermos gente outra vez
 
de ficarmos à janela
aberta de par em par
lançando à rua um sorriso
e deixando entrar o ar
que nos varra os pesadelos
os medos
as aflições
de que estamos pelos cabelos
sem aprendermos lições
 
o Natal é esse olhar
que vai além da vidraça
e que nos mostra quem passa
apenas por lá passar
 
um tempo de ter presente
mesmo quando estamos sós
que quem quer que passe em frente
da janela que abrirmos
de repente descobrirmos
ser gente
tal como nós.
 
- Jorge Castro
Dezembro de 2016

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dezembro 06, 2016

Camões e a calçada portuguesa

Só para não dizerem que não falei em flores... dar-vos ei razão e falarei de outra coisa qualquer. Que o quotidiano está aí, anda à nossa volta e não há arte maior do que lhe dar olhos de ver.

pisoteia ela a calçada
alto o salto
esbelta a perna
e o salto alto penetra
no canal lacrimejal
de quem foi grande poeta
mas jamais acidental
que ocidental era a meta

a ranhura que era fina
finória e sem ter largura
deu de si – perdeu a sina
e cresceu em desmesura
por tanto
e tanta mais treta
o salto alto penetra
naquele olho do poeta

e o artista ligeiro
corre e salta pressuroso
p’ra não dizer altaneiro
actualizando o ficheiro
que parece insidioso
assim de olho esburacado

com martelo e martelada
tira e põe pedra a preceito
aconchega e põe a jeito
o sem-jeito da calçada

e quase sem dar por nada
pedra a pedra martelada
espanto que já nem cala
varrido que é o restolho
ali nasce em quase-nada
no poeta sobre um olho
o negrume de uma pala… 

- Jorge Castro

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novembro 28, 2016

um pássaro antigo nos olhos...


... que voa, ainda, imponderável mas consistente, pelas mãos de Alice Duarte.  
 
Lá estarei, com honrarias de co-prefaciador, a meias com o bloguístico Herético, a trilhar os caminhos dos afectos que, mais do que quaisquer outros, se fazem caminhando.
 
Apareçam. Assegura-se um elementar momento poético!

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novembro 22, 2016

um país que perdeu quase tudo...

Não sendo meu hábito, mas porque o texto merece uma séria reflexão de todos, aqui reproduzo, com a devida vénia, um texto de Nicolau Santos, publicado no Expresso Curto:




Por Nicolau Santos 

21 de Novembro de 2016 

O país que perdeu quase tudo sem dar por isso 
Bom dia. Este é o seu Expresso Curto, cada vez mais de olhos em bico, seja por causa de um banco, de umas eleições, de umas revelações, das pensões ou do diabo, que não arreda pé da política nacional.

O país amanhece hoje com mais um banco controlado por capitais chineses. O grupo privado Fosun passa a deter 16.7% do capital do BCP, tornando-se o maior acionista individual, através de uma operação de aumento de capital, pelo qual paga 175 milhões de euros. Fica aberto o caminho para chegar aos 30% e conta já com a luz verde do BCE para esse efeito. Também os direitos de voto vão subir do atual limite de 20% para 30%. A entrada dos chineses mereceu o acordo dos outros principais investidores, nomeadamente os angolanos da Sonangol e os espanhóis do Sabadell. A Fosun já controla a companhia de seguros Fidelidade e a Luz Saúde. Mas a entrada no BCP far-se-à através de uma entidade chamada Chiado.

O negócio é excelente para o banco, que precisava de estabilidade acionista e de aumentar capital, até porque ainda deve 700 milhões ao Estado da ajuda que recebeu durante o período da troika. Mas… o BCP é o maior banco privado português. A EDP é a maior empresa elétrica do país. A REN – Redes Elétricas Nacionais gere as principais infraestruturas de transporte de eletricidade e de gás natural. A ANA controla todos os aeroportos nacionais. A TAP é fundamental na captação de turistas para o país. Todos foram vendidos ou estão concessionados a investidores estrangeiros, assim como o porto de Sines (detido pela PSA de Singapura) e todos os outros (Lisboa, Setúbal, Leixões, Aveiro e Figueira da Foz, controlados pela empresa turca Yilport).

Ora um país que não controla os seus portos, os seus aeroportos, a sua energia (quer a produção quer a distribuição) nem o seu sistema financeiro na quase totalidade (escapa a CGD) é seguramente um país que terá no futuro cada vez mais dificuldades em definir uma estratégia nacional de desenvolvimento.

Provas? A TAP quer comprar oito aeronaves para fazer face à procura crescente resultante das rotas que abriu para os Estados Unidos mas a ANA responde-lhe que não tem espaço para o seu estacionamento no aeroporto Humberto Delgado. Na verdade, os franceses da Vinci, que controlam a ANA, deveriam ter já arrancado com a construção de um novo aeroporto porque o número de passageiros na Portela está muito próximo do limite definido no acordo para que esse passo seja desencadeado. Mas preferem a solução Portela mais Montijo, que lhes sai mais barata e que só deverá estar pronta dentro de três anos, a construir um novo aeroporto, uma decisão obviamente de importância estratégica para o país.

Mais provas? Como se disse, o porto de Sines foi concessionado à PSA de Singapura. Ora, os chineses estão interessados em Sines, onde se propõem aumentar os cais e as plataformas de apoio, mais uma plataforma industrial para montarem os produtos cá e obterem o “made in Portugal”, podendo assim entrar sem problemas no mercado europeu. Só que a PSA de Singapura opõe-se e faz valer a sua opinião por ser dona da concessão. E as autoridades portuguesas pouco podem fazer porque infraestruturas deste tipo são únicas: não se podem construir outras ao lado.

É este o Estado que temos: sem poder para mandar naquilo que é verdadeiramente essencial para definir uma estratégia de desenvolvimento. E o que é espantoso é que quase tudo tenha acontecido em tão pouco tempo (entre 2011 e 2015, pouco mais de quatro anos) e que estivéssemos tão anestesiados que o não conseguíssemos evitar.

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e dixit (Edite Gil)
Fotos de Dionísio Leitão
Garganta do Silêncio (Tiago Moita)
Isabel Gouveia
Itinerário (Márcia Maia)
Metamorfases
Mudança de Ventos (Márcia Maia)
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Nau Catrineta
Notas e Comentários (José d'Encarnação)
Novelos de Silêncio (Eli)
Pedro Laranjeira
o estado das artes
Palavras como cerejas (Eduardo Martins)
Parágrafos Inacabados (Raquel Vasconcelos)
O meu sofá amarelo (Alex Gandum)
Persuacção - o blog (Paulo Moura)
Queridas Bibliotecas (José Fanha)
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Relógio de Pêndulo (Herético)
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Repensando (sei lá...)
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Vida de Vidro
WebClub (Wind)

Correntes de Ver:
desenhos do dia (João Catarino)
Esboço a Vários Traços

Correntes Auspiciosas:
ABC dos Miúdos
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Provérbios

Correntes Favoráveis
A P(h)oda das Árvores Ornamentais
Atento (Manuel Gomes)
A Paixão do Cinema
A Razão Tem Sempre Cliente
A Verdade da Mentira
Bettips
Blog do Cagalhoum
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Crónica De Uma Boa Malandra
Desabafos - Casos Reais
Diário De Um Pintelho
Editorial
Escape da vida...
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Eu e os outros...
Eu sei que vou te amar
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O Blog do Alex
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Outsider (Annie Hall)
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Pastel de Nata (Nuno)
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Puta De Vida... Ou Nem Tanto
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Um pouco de tudo (Claudia)
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Zurugoa (bandido original)

Corrente de Escritas:
A Arquitectura das Palavras (Lupus Signatus)
Além de mim (Dulce)
Ana Luar
Anukis
Arde o Azul (Maat)
Ao Longe Os Barcos De Flores (Amélia Pais)
Babushka (Friedrich)
baby lónia
Branco e Preto II (Amita)
Biscates (Circe)
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Cartas Perdidas (Alexandre Sousa)
Chez Maria (Maria Árvore)
Claque Quente
2 Dedos de Prosa e Poesia
Escarpado (Eagle)
Erotismo na Cidade
Fôlego de um homem (Fernando Tavares)
Há mais marés
Humores (Daniel Aladiah)
Insónia (Henrique Fialho)
Klepsidra (Augusto Dias)
Letras por Letras
Lua de Lobos
Lus@arte (Luí­sa)
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Menina Marota
Novos Voos (Yardbird)
O Eco Das Palavras (Paula Raposo)
Porosidade Etérea (Inês Ramos)
O Sí­tio Do Poema (Licínia Quitério)
Odisseus
Paixão pelo Mar (Sailor Girl)
Palavras de Ursa (Margarida V.)
Palavrejando (M.P.)
Poemas E Estórias De Querer Sonhar
Poesia Portuguesa
Poetizar3 (Alexandre Beanes)
Serena Lua (Aziluth)
Sombrasdemim (Maria Clarinda)
Sopa de Nabos (Firmino Mendes)
T. 4 You (Afrodite)
Uma Cigarra Na Paisagem (Gisela Cañamero)
Xanax (Susanagar)

A Poesia Nos Blogs - equipagem:
A luz do voo (Maria do Céu Costa)
A Páginas Tantas (Raquel)
ante & post
As Causas da Júlia
Cí­rculo de Poesia
Confessionário do Dilbert
Desfolhada (Betty)
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Poemas de Trazer por Casa e Outras Estórias - Parte III
Poesia Viva (Isabel e José António)
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